Clarins da Fantasia por Walney Menezes
Clarins da Fantasia

Clarins da Fantasia
- Calor a pino, rouxinóis em revoada!
Neste corredor de vozes... resgato
toda face agora triste, - decomposta
sem a leveza do seu perfume -.
- Enxergo na poeira… a sede de cada lágrima!
Calço seus pés; trilho seus olhos entre notas:
transportam mais que vidas;
exortam o inalcançável a cada passada.
- Ah, corações imprudentes, sem claraboias!
Pelas frestas das suas janelas romantizo,
para que as cores da lua realce o pouco que lhes restam
- sombras análogas a andorinhas mortas -.
"Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim, mas..."
Na alvorada capciosa da quarta-feira
desfila sem fim, o sonho adormecido dos clarins da fantasia,
sobre as cinzas do Pierrot, sob as cicatrizes da Colombina -.
Walney Menezes
