E agora? Por Clerisvaldo B. das Chagas
Crônicas santanenses

Hoje, domingo 26, mais um dia estiado em final de julho. Encerramento da festa da padroeira de Santana do Ipanema, uma atração enorme para todo o Sertão alagoano que vem congregar na fé. E assim, com o sol brilhando entre algumas brancas nuvens, o santanense procura os passeios as fazendas, às chácaras, as visitas domingueiras, enquanto aguarda o final do dia para a procissão que segue por ruas e avenidas até o início da noite. É pena não ouvirmos mais o repicar dos sinos da torre nas mãos habilidosas do sineiro “Major”, quilombola e educado zelador da Matriz de senhora Santana (memória). Mas, mesmo sem o dobrar dos sinos, vamos encerrando mais um episódio religioso tradicional e robusto do semiárido de Alagoas.
E como é praxe nessa época do ano, o rio Ipanema mostra pouca água, apenas acumulada em poços, aqui e ali. A cumpridez do seu leito, nessa frieza de julho, parece de um mundo distante onde não transitam humanos. Uma solidão de fim de mundo. Os vegetais é de baixadas, montes e planuras, vão desbotando o verde robusto das chuvas acentuadas e ficando pálido com intervalos prolongados das lágrimas divinas. Nas fazendas, sítios e povoados as cabeças são sempre giratórias para o céu, ora branco, ora azul. As interrogações são as mesmas sobre prolongamento ou não do inverno e sobre o ânimo fraco das águas que têm chegado. Porém, o melhor mesmo é pegar a roupa nova e marchar satisfeito rumo à procissão.
Alguns festeiros já antecipam o evento de São Cristóvão, como se outubro fosse ali na esquina. Mexem no cocuruto antes mesmo dos agradecimentos de Santa Ana e São Joaquim. Mas, é como dissemos outras vezes, no sertão santanense é festa o ano todo. E neste momento em que escrevo estas palavras, estou ouvindo católicos do lugar cânticos da procissão distante e às vezes, somente o barulho, o eco de sons e sentimos assim por onde anda o cortejo de fé. Após a beleza do encerramento, ficará nos corações dos católicos do lugar, uma sensação do dever cumprido, mas também uma sensação de um vazio longo para o novo festejo do ano que vem.
Final de festa, final de mês.
Viva o mês de julho!!!
Fonte:
https://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2026/07/e-agora-clerisvaldo-b.html
