Setembro Amarelo e Roxo por José Geraldo Wanderley Marques
Dedicado a Edilma Bomfim (em louvor de Breno Acioly)

Triste sina a de quem nasce
Pra morrer de morte lenta
Até que que a vida se acabe
Ou que acabe a própria vida
Sem consciência da inconsciência
Mas por ela conduzida
Em si mesma mergulhada
Num oceano em brasas
Numa eterna madrugada
Pelas sombras preenchida
Sem uso algum de máscara
Posto ser personificada
Triste sina a de quem nasce
Para perder a razão
Ou para vê-la mutilada
A mergulhar num oceano
Que já vem de priscas eras
E sem saber navegá-lo
Enfrenta raras calmarias
E frequentíssimas procelas
Onde a verdade é o engano
E o engano deseganado
Pensa-se ser verdadeiro
Em um jogo mal jogado
Onde vence quem sempre perde
E ao perder-se naufraga
Ah quem me dera eu pudera
Desnaufragá-lo e trazê-lo
A mais plena totalidade
Da superfície das águas
Ah quem me dera!
Mas contra a rota traçada
Por deuses loucos e exatas parcas
Pouco pode ou pode nada
Um mortal que também sofre
Da triste sina que nasce
Pra morrer de morte lenta
Ou para matar-se a vida
Enquanto esta inda renasce!