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Academia Santanense de Letras, Ciências e Artes

Setembro Amarelo e Roxo por José Geraldo Wanderley Marques

02/08/2025

Dedicado a Edilma Bomfim (em louvor de Breno Acioly)

Setembro Amarelo e Roxo por José Geraldo Wanderley Marques

Triste sina a de quem nasce

Pra morrer de morte lenta

Até que que a vida se acabe

Ou que acabe a própria vida

Sem consciência da inconsciência

Mas por ela conduzida


Em si mesma mergulhada

Num oceano em brasas

Numa eterna madrugada

Pelas sombras preenchida

Sem uso algum de máscara

Posto ser personificada


Triste sina a de quem nasce

Para perder a razão

Ou para vê-la mutilada


A mergulhar num oceano

Que já vem de priscas eras

E sem saber navegá-lo

Enfrenta raras calmarias

E frequentíssimas procelas

Onde a verdade é o engano

E o engano deseganado

Pensa-se ser verdadeiro

Em um jogo mal jogado

Onde vence quem sempre perde

E ao perder-se naufraga


Ah quem me dera eu pudera

Desnaufragá-lo e trazê-lo

A mais plena totalidade

Da superfície das águas


Ah quem me dera!


Mas contra a rota traçada

Por deuses loucos e exatas parcas

Pouco pode ou pode nada

Um mortal que também sofre

Da triste sina que nasce

Pra morrer de morte lenta

Ou para matar-se a vida

Enquanto esta inda renasce!